Hoje eu quero escrever algumas verdades que cabem nessa página. Queria começar com a triste notícia de que cresci. É, aquela menina de 13 anos que costumava ficar trancada no quarto chorando por amizades falsas e amores mal resolvidos evoluiu. Hoje aos 18, percebo como ser grande é difícil, mas confesso que mais difícil ainda é ser gente. Certamente muitos esquecem o que é isso, acredita ? Senti saudade de você. Já que foi o meu confidente durante anos de controvérsias e aceitações, achei justo voltar pra lhe escrever o final da minha vida complicada e cheia de pena de mim mesma. Sabe aquela história de chorar embaixo do chuveiro e justificar os olhos vermelhos como acidente com shampoo ? Ainda faço. Mas de um jeito diferente. Não me reclamo mais por muito tempo. As pessoas que me machucam devem ter seus motivos. Depois de muitas lágrimas compreendi isso, assim como, me dei o direito de entendê-los ou não, mas aceito. Lembra das culpas que martirizavam meu coração ? Uma por uma eu vou resolvendo, vou eliminando. Isso me custou uma frieza e a diminuição da fidelidade que existia à minha personalidade. Essa nova trajetória da minha vida eu ainda não escolhi como chamar, acho que é passageira e definitiva, um dia, quem sabe, eu consiga definir. Talvez esteja estranhando a firmeza das palavras e a força que uso enquanto digito tudo isso. Não estou rebelde, embora seja revoltada com algumas coisas que por mais que eu me esforce não consiga entender. Muitos pensam que eu me tornei uma pessoa fria, calculista, insensível e indiferente, esses são os que me conheceram. Os que nãoconhecem pensam que eu sou meiga, doce, sensível, indefesa, carente e utópica. Mas apenas quem não me entende, apenas me sente, sabe que eu sou uma mistura de tudo e que é impossível separar a parte boa do lado agressivo. Quem sente sabe tanto quanto eu que tudo exige uma adaptação. Quem se curva costuma ficar corcunda e muitos sobem nas costas. Quem é áspero tende a viver isolado para só depois descobrir que a solidão é o pior castigo. Quem me sente sabe que eu nunca seria capaz de te esquecer, "querido diário", sabe que eu não te tenho por infantilização ou por delírios de adolescente, mas por necessidade de expressar aqui o que já não cabe em mim, por necessidade de falar do meu jeito as coisas que penso sobre quem e tudo que me cerca. Me sinto bem quando escrevo, é como se a parte negativa se transformasse em motivos pra ver além do que me prende. É como se meu "eu" implorasse um pouco mais pra não esquecer quem eu fui e como quero ser daqui pra frente. Claro, claro, sei que vou mudar em alguns fatores, mas é evidente que a essência não se perderá. Quando escrevo tenho a possibilidade de pensar em quem sou e como seria se não fosse assim. Isso assusta. Embora não tendo os mesmos costumes que tantos outros têm me sinto feliz, porque não dexei de acreditar naquilo que quero e espero, mesmo colecionando inúmeras decepções. Considero isso bom, é uma prova de que ainda sou fiel a mim mesma. É mágica a forma como uma simples caneta e uma folha de papel conseguem acompanhar e entender meu raciocínio sem perder nenhum detalhe. É, acho que voltar aqui e escrever um pouco do muito que ainda resta me fez bem. É a parte dos meus dias em que descanso da vida que acontece da porta pra fora.
Por: Hellen Reylla Nascimento.
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